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Mostrando postagens de 2008

Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura

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Finalmente consegui ir ao Claro Cine, que antes era o Vivo Open Air. Uma tela de cinema de 286 metros de altura exibe vários filmes, de vários estilos. Porém a agradável surpresa dessa última edição foi a produção brasileira de 1967, Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura. Com direção de Roberto Farias, o filme mostra o nosso querido Rei em várias situações de aventura. Ele pilota um carro em alta velocidade, foge de bandidos, pilota avião e helicóptero. E por falar em helicóptero, essa cena é simplesmente de tirar o fôlego. O verdadeiro piloto que fez a cena merece todos os créditos. O helicóptero passa por dentro do Túnel do Pasmado! É realmente incrível de se ver! Sem falar na maravilhosa paisagem de um Rio visto de cima, em pleno anos 60. É uma viagem total!!
Além disso, o filme inova em sua linguagem também. Ele é metalinguístico, o que lembra, em alguns momentos, o estilo do roteirista Charlie Kaufman, com essa questão da ficção se auto-questionar. Roberto Farias dirige de uma forma…

Vicky Cristina Barcelona

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Particularmente aprecio os filmes de Woody Allen em que ele se faz presente apenas como diretor e não como ator. Considero que sua obra fica mais interessante sem que ele próprio se inclua em suas histórias. Sendo assim, Vicky Cristina Barcelona se enquadra nesse perfil que traço. Além disso, o filme tem um tom quase que “almodovariano”. Não sei se pelo fato da história se passar na Espanha, ou por ter atores como Javier Barden e Penélope Cruz, enfim, em alguns momentos pensamos estar vendo um filme de Almodóvar, não fosse as interferências da voz de um narrador, que aí acaba nos puxando e lembrando que estamos vendo Woody Allen.
Além dos dois atores espanhóis, o filme é protagonizado também pela Scarlett Johansson, que pelo visto virou a mais nova queridinha de Woody, já que ela estrelou três de suas produções (as duas anteriores foram Match Point, de 2005 e Scoop, de 2006). Johansson é a Cristina do título do filme. Ela e sua melhor amiga, Vicky, decidem passar um tempo na Espanha, …

Diário do Festival do Rio 2008 (parte 2)

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O cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, que dirigiu filmes como, o interessante, “Salve o Cinema” (Salaam Cinema, 1995), tem duas filhas que resolveram seguir a mesma carreira do pai. Samira e Hanna Makhmalbaf. Samira já havia estreado nas telas, aos 18 anos de idade, com o filme “A Maçã” (Sib, 1998). E agora a sua irmã, Hana, com apenas 14 anos, se faz presente no Festival do Rio 2008 com E Buda Desabou de Vergonha (Buda Az Sharm Foru Rikht , 2007). Trata-se de um filme puro nas imagens, na narrativa e na sua história, e por isso revela um específico complexo contexto de vida. Assim, como outros filmes de diretores iranianos, ele possui um certo tom de documentário, e talvez o seja, afinal a realidade, muitas vezes, se confunde com uma ficção.


Falando em filhas de cineastas, Jennifer Lynch, filha de David Lynch, está de volta! Depois do bizarro “Encaixotando Helena” (Boxing Helena, ano), ela surpreende mais uma vez com Sob Controle (Surveillance, 2008). Estrelado por Julia Ormond e Bil…

Diário do Festival do Rio 2008

Madonna abre a minha seleção de filmes do festival. Isso mesmo, Madonna estréia na direção com Sujos e Sábios (Filth and Wisdom, 2008), que narra a história de pessoas que, apesar dos problemas do dia-a-dia, tentam levar a vida da melhor forma possível. O protagonista, e também a trilha do filme, fica por conta do cantor cigano ucraniano Eugene Hutz, vocalista da banda "Gogol Bordello", que já é uma figura por si só e que, inclusive, irá se apresentar no TIM Festival desse ano. É claro que, em alguns momentos ouvimos músicas da própria diretora, mas o ponto alto do filme é uma referência a Britney Spears. Até que a rainha do pop consegue surpreender com a sua estréia na direção, com uma narrativa interessante e cômica. Vale a pena conferir!

Charlie Kaufman é o roteirista dos filmes “Quero Ser John Malkovich”, “Adaptação” e “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. E agora ele não só roteirizou, como dirigiu a sua mais nova “viagem”, Sinédoque Nova Iorque (Synecdoche, New Y…

Linha de Passe (2008)

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Dizem que uma das características dos bons diretores de cinema é que eles sempre fazem os mesmos filmes, ou seja, abordam sempre os mesmos temas. O espanhol Pedro Almodóvar adora mergulhar no universo feminino, o, também espanhol, Luis Buñuel gostava de criticar a sociedade burguesa, e já o sueco Ingmar Bergman se aprofundou na complexidade do próprio ser humano. O diretor brasileiro Walter Salles traz, como um tema latente para as telas, a questão do abandono. Em Terra Estrangeira (1995), vemos a história de alguns brasileiros que abandonaram o país, em busca de uma vida melhor, em plena crise do governo Collor. Em Central do Brasil (1998), o menino Josué, que estava em busca do pai, se encontra ainda mais abandonado após a morte da mãe. Abril Despedaçado (2001), que considero sua maior obra-prima, o personagem de Rodrigo Santoro tem o desejo de abandonar a vida que leva. Até mesmo a refilmagem do original japonês, Água Negra (Dark Water, 2005), feita nos EUA, também vemos uma mulher…

O Escafandro e a Borboleta (Le Scaphandre et le Papillon, 2007)

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Em 1964, Marshall MacLuhan escreveu o intrigante livro “Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”. E no filme de Julian Schnabel (Antes do Anoitecer e Basquiat), pode-se dizer que é um dos exemplos mais concretos da teoria de MacLuhan. O olhar da câmera se traduz como o olhar do personagem. Dessa forma, nós, os espectadores, somos transportados para o corpo e mente de Jean-Dominique Bauby, redator-chefe da revista francesa Elle. Vítima de um derrame cerebral, ele adquire a Síndrome Locked-in (ou Síndrome do Encarceramento), que o deixa completamente lúcido, porém totalmente paralisado, conseguindo mexer somente um olho.

O recurso cinematográfico chamado de lente subjetiva é levado ao extremo por Schnabel. Os primeiros minutos do filme são inteiramente do ponto de vista de Bauby. Somente após compreendermos, juntamente com o personagem principal, o que está se passando, é que a lente da câmera finalmente revela a figura que até então não havíamos visto. Porém, mesmo com a câmera…

Control (idem, 2007)

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Em 1977 uma banda inglesa, mais especificamente de Manchester, apresentava uma nova sonoridade para o mercado musical. Entre David Bowie e Sex Pistols, surgia o Joy Division. Uma banda que destoava entre as outras por apresentar letras sensíveis e profundas sobre os conflitos internos do ser humano. E o responsável pela composição dessas músicas era o vocalista Ian Curtis. O diretor e fotógrafo holandês Anton Corbijn (http://www.corbijn.co.uk/) dirige seu primeiro longa que não poderia ser sobre outra coisa senão a banda que ele conheceu e admirava tanto. Anton é conhecido pelo seu trabalho como fotógrafo no meio musical, que inclui capas de revistas e CD’s de bandas como U2, REM, Depeche Mode, entre outros.

Control é um filme biográfico que possui um tom de respeito pela figura ali exposta. Isso se deve ao fato de seu diretor ter uma profunda admiração por Ian e pelo seu trabalho junto ao Joy Division. O tom do filme é propositalmente um pouco superficial no que se refere aos conflito…

Juízo (2008)

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A diretora Maria Augusta Ramos volta a temática sobre a justiça brasileira em seu segundo longa-metragem, Juízo. O documentário mostra o funcionamento da justiça em relação a jovens com menos de 18 anos. O foco do filme é um tanto delicado, já que a lei brasileira proíbe o uso da imagem de menores infratores. A solução encontrada pela diretora foi de usar jovens atores de comunidades carentes para interpretarem os casos reais mostrados no filme. Todos os demais personagens, como juízes, promotores, familiares e outros, são realmente eles mesmos.

Assim como no seu primeiro longa, Justiça (2004), Maria Augusta mantém a câmera estática, quase que como um olhar neutro dos acontecimentos narrados dentro da sala de audiência. A montagem nos permite ver a reação dos jovens ao ouvirem suas sentenças. Apesar, destes serem atores, é possível percebermos uma certa identificação com os personagens reais. A escolha por jovens atores de comunidades carentes se deve justamente ao fato de que a reali…

O Caçador de Pipas (2007, The Kite Runner)

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Amor, honestidade, fidelidade e redenção, esses são alguns dos temas abordados em O Caçador de Pipas. Mas, como conseguir falar de tais temas sem ser piegas? A resposta está sob forma de uma bela história entre duas crianças afegãs.

O filme, que seria inicialmente dirigido por Sam Mendes (de Beleza Americana), inclusive é o que vem escrito na orelha do livro de Khaled Housseini, passou para as mãos do diretor Marc Forster (de A Última Ceia e A Passagem). É aquela velha história: “o livro é sempre infinitamente melhor do que o filme”, porém no caso de O Caçador de Pipas, o filme consegue dar o recado sem ser tão melodramático quanto o livro. Por exemplo, a cena em que Sohrab tenta suicídio nos foi poupada no filme.

Para quem leu o livro, é inevitável comparar com o filme, porém recomendo o exercício de se desligar dos detalhamentos do livro e enxergar somente na história que está se passando na tela. É um pouco difícil, mas se consegue chegar a conclusão de que é um belo filme com uma …