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Mostrando postagens de 2007

Festival do Rio 2007

Este evento anual que acontece na cidade do Rio de Janeiro desde 1999, sempre traz as novidades do cinema de todas as partes do mundo. Na edição deste ano foram selecionados mais de 400 filmes. É claro que eu gostaria de poder assistir todos, mas como isso é humanamente, e financeiramente, impossível, consegui assistir apenas alguns. 17 foi o meu número e a escolha se deu principalmente pelos diretores. Porém comentarei aqui apenas aqueles que mais gostei.

O primeiro que vi foi I'm a Cyborg, But That's OK, de Park Chan-Wook. Depois de ter dirigido filmes como “Oldboy” e “Lady Vingança”, o diretor coreano resolveu pegar mais leve com esta bela fábula moderna sobre uma menina que pensa ser um cyborg, e portanto resolve não mais se alimentar com comida, já que iria estragar seu organismo mecânico. Assim, ela passa a se “recarregar” lambendo pilhas. A loucura dos personagens, que vivem em um manicômio junto com a tal menina-cyborg, ganha uma certa lógica graças a brilhante forma q…

Michelângelo Antonioni (1912-2007)

Depois de vária tentativas, finalmente consegui ir na Maratona do Odeon. Trata-se de uma maratona de filmes, que se inicia por volta das 23:30h e vai até às 06:30h, no cine Odeon no centro do Rio. O filme que abriu a maratona foi Profissão Repóter (Professione: Reporter, 1975), de Michelângelo Antonioni, e para mim, só ele valeu a noite! O outro filme de Antonioni que eu tinha visto foi Blow Up (idem, 1966), que sempre rendeu variadas análises de vários críticos e estudiosos de cinema. Mas, com “Profissão Repórter” pude realmente entender a grandeza deste cineasta, pois o filme faz uso de recursos narrativos inteligentes que nos faz admirar ainda mais a arte cinematográfica. Sem falar na clássica cena final do filme em um plano sequência que a câmera atravessa por entre as grades de uma janela.

Com a perda de Antonioni, e também de outro grande diretor de cinema, Ingmar Bergman, que por coincidência faleceu no mesmo dia que Antonioni, pode-se dizer que a morte de ambos cineastas, signi…

O Balconista II (Clerks II, 2006)

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O diretor Kevin Smith retoma os personagens Dante e Randal de seu primeiro Balconista (Clerks, 1994). Além, é claro, da famosa dupla Jay e Silent Bob (vivido pelo próprio Smith), que estão hilários como sempre. Dizia-se que O Balconista fazia parte de uma trilogia de Smith, iniciada com O Balconista, depois o bobo Barrados No Shopping (Mallrats, 1995), e Procura-se Amy (Chasing Amy, 1997), sendo este último estrelado por Ben Affleck. Os personagens Jay e Silent Bob sempre foram figuras cativas em todos esses filmes. Além dessa característica, os filmes de Smith eram todos de baixo orçamento, logo considerados produções alternativas ao cenário milionário de Hollywood. Ben Affleck e Jason Lee (o "agasalha pepino")são amigos que atuam de vez em quando em suas produções, e sendo assim também dão o ar da graça em curtas aparições de O Balconista II.

O filme é recheado de referências fílmicas, como a cena de Jay dançando ao som da trilha que embalou o psicopata de "O Silêncio…

Santiago

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Esse é o título do último documentário de João Moreira Salles. Santiago foi o mordomo da família Salles por trinta anos e ele é o personagem principal do filme, porém o coadjuvante da história de vida do próprio João Moreira.

Tive a oportunidade de assistir ao filme seguido de um debate com o diretor, que explicou ter feito as imagens para o documentário em 1992, porém optou por não montá-lo naquela época. Somente em 2006 resolveu retomar a idéia. Baseado no material bruto percebeu que a sua relação com o personagem de seu filme era de extrema distância, mesmo este lhe sendo tão íntimo. Como o próprio João disse, “ainda bem que não fiz o documentário naquela época, senão Santiago seria o objeto e não o sujeito do filme”. O que impressiona e comove é a exposição do diretor em se inserir na narrativa, tanto quando ouvimos suas interferências durante as falas de Santiago, quanto a própria narração do filme, que é feita em off e em primeira pessoa, representada pela voz de seu irmão. Além…

O Cheiro do Ralo

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Cafajeste, sacana, egoísta, escroto, filho da p#!%*!!! Lourenço pode ser tudo isso, mas uma qualidade ele tem. Ele é honesto! Extremamente honesto! Até demais! Ele diz o que pensa das pessoas e diz na frente delas! Ninguém é poupado! Nem mesmo sua noiva! Além disso, ele possui uma verdadeira tara doentia pela bunda de uma atendente de lanchonete. Bom, já deu pra perceber que é preciso se desprover de valores morais para assistir a história de Lourenço.
Esse é o segundo filme de Heitor Dhalia, que teve sua primeira experiência no cinema com Nina (2004), inspirado no livro "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoievski. O Cheiro do Ralo é baseado no livro homônimo do cartunista Lourenço Mutarelli, que inclusive faz uma participação no filme como o segurança de Selton Mello. A trama do filme se passa numa época que nos remete aos anos 70, devido ao figurino e algumas gírias faladas pelos personagens, porém o dinheiro usado é o de hoje em dia, logo, o filme se propõe de forma atemporal…

12º Festival É Tudo Verdade

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Foto: Krzysztof Kieslowski


Muita sorte a minha estar no Rio na época em que aconteceu o É Tudo Verdade. O nome desse festival faz referência a um filme inacabado de Orson Welles que foi rodado no Brasil. E pelo nome dá pra perceber que se trata de um festival só de documentários. Todo ano eles fazem uma homenagem, em forma de retrospectiva, de um diretor. E nesse ano foi a vez do cineasta polonês Krzysztof Kieslowski (1941-1996). No total, foram exibidos 17 curtas dele e outros 3 filmes sobre ele. Um dos que eu assiti, “Krzysztof Kieslowski: Eu Estou Mais ou Menos”, foi dirigido pelo seu amigo e também seus assistente de direção Krzysztof Wierzbicki. No filme, vemos Kieslowski falando de seus curtas de início de carreira e de alguns de seus longas. Foi muito interessante ver o cineasta falando de seus filmes e, principalmente sobre si mesmo. Foi possível perceber que a forma como ele se expressa, se parece um pouco com os seus filmes, ou seja, o sentimento não está nas palavras, mas n…

A Pele

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(Fur: An Imaginary Portrait of Daine Arbus, 2006) dirigido por Steven Shainberg.
Depois do excelente Secretária (Secretary, 2002), o diretor Steven Shainberg está de volta com o filme "A Pele". Com esse filme, Shainberg parece definir o seu tema predileto: os desejos obscuros dos seres humanos. Tanto em "Secretária" quanto em "A Pele", os personagens revelam seus segredos mais íntimos de uma forma espontânea, bem humorada e romântica.

Nicole Kidman vive a fotógrafa Diana Arbus, que mudou a cara da fotografia americana com suas fotos focadas nos chamados "freaks" (aberrações), que eram travestis, artistas de circo e pessoas com alguma anormalidade física. Porém, antes de se descobrir como fotógrafa, Diana (pronuncia-se Dee-Ann, como ela mesma explica no filme) descobre algo sobre si mesma.

"A Pele" expõe os segredos de seus personagens e nos faz pensar também nos nossos próprios segredos. Muitas vezes aquilo que desejamos no nosso mais …