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Mostrando postagens de 2013

Tatuagem

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Os cineastas pernambucanos vêm cada vez mais se destacando no cenário cinematográfico brasileiro e aos olhos da crítica internacional. Só para citar alguns: Marcelo Gomes, com “Cinema Aspirinas e Urubus” (2005) foi selecionado para a mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar), no Festival de Cannes; Kleber Mendonça, com “O Som ao Redor”, foi considerado pelo jornal The New York Times como um dos dez melhores filmes de 2012.

Azul é a cor mais quente

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O diretor tunisiano, Abdellatif Kechiche nos apresenta um estilo de filmagem extremamente naturalista em “Azul é a cor mais quente” (La Vie D'Adèle, 2013). O filme é uma livre adaptação da HQ Bleu Est Une Couleur Chaude, escrita e desenhada pela francesa Julie Maroh e narra uma história de amor entre duas meninas. O filme se baseia nesse contexto para dissecar minuciosamente todo o processo de uma relação amorosa, desde o seu início até o fim. O que chama atenção é a forma como esse recorte é feito e conduzido, prezando valorizar o tempo dos acontecimentos e os sentimentos das personagens envolvidas.

Gravidade

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A proposta de “Gravidade” (Gravity, 2013) é um convite para se vivenciar uma completa imersão espacial. Imersão essa que, de forma abrangente, se dimensiona em vários sentidos: no espaço sideral em si, no espaço emocional e no espaço cinematográfico, catalisador da relação conectiva que se estabelece entre a obra e o seus espectadores.

O Homem das Multidões

Dentre os filmes brasileiros, concorrentes da Première Brasil Competição de Ficção - Longas, do Festival do Rio 2013, o destaque é para “O Homem das Multidões” (2013), de Marcelo Gomes e Cao Guimarães. Livremente inspirado no conto de Edgar Allan Poe (The Man of the Crowd, 1840), narra a história de um homem que gosta de observar as pessoas que circulam pela multidão de uma grande metrópole.

Frances Ha

Frances é o nome da personagem vivida pela atriz Greta Gerwig, que também assina o roteiro do filme em parceria com Noah Baumbach. Noah passou a ter mais reconhecimento após o filme “A Lula e a Baleia” (The Squid and the Whale, 2005), que também escreveu e dirigiu. Greta atua mais no cenário de filmes independentes americanos, mas já participou de produções que fazem parte do mainstream, como “Para Roma com Amor” (To Rome With Love, 2012), de Woody Allen e “Sexo Sem Compromisso” (No Strings Attached, 2011), de Ivan Reitman. “Frances Ha” (idem, 2012) tem como parceria de produção a produtora brasileira do Rodrigo Teixeira, a RT Features, que já produziu filmes como “O Cheiro do Ralo” (2006) e “Heleno” (2011).

Bling Ring, A Gangue de Hollywood

O vazio existencial parece ser o tema recorrente de Sofia Coppola, que desde o seu primeiro longa, “As Virgens Suicidas” (The Virgin Suicides, 1999), vem retratando, em variados níveis, a incansável busca de seus personagens em preencher esse vazio. Seu mais recente filme parece, mais uma vez, não fugir dessa premissa. “Bling Ring, A Gangue de Hollywood” (The Bling Ring, 2013) é baseado em um artigo publicado pela jornalista Nancy Jo Sales para a revista "Vanity Fair", cujo título é “Os suspeitos usavam Louboutins”. Nele, ela relata e faz uma análise sobre o fato ocorrido entre 2008 e 2009 em que jovens de classe média alta de Los Angeles, roubavam mansões de pessoas ricas e famosas, tais como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Orlando Bloom. O foco em jovens ricos sempre foi objeto de estudo da jornalista, que os acompanha de perto desde 1996.

Depois de Lúcia

Esse é o segundo longa do diretor mexicano Michel Franco, que levou o prêmio Un Certain Regard (Um Certo Olhar) no Festival de Cannes de 2012, prêmio este que é voltado para diretores estreantes. Podemos dizer que o título do prêmio realmente faz jus a produção. Isso porque a força do filme está justamente no exercício do olhar, tanto da câmera quanto de seus espectadores. Franco faz uso de planos quase sempre mais abertos e longos, além de uma insistente câmera estática. O close, praticamente, não é utilizado.

O roteiro, que também é assinado pelo diretor, traz uma narrativa linear e que vai lentamente revelando a história. O filme começa com um curioso plano sequência em que vemos de dentro de um carro um homem dialogar com outro sobre os reparos feitos no veículo.

Anna Karenina

Joe Wright é um diretor que, certamente, merece a devida atenção. Ele vem se destacando não só pela busca em trazer clássicos da literatura para o cinema, assim como, fazer disso um constante exercício de tornar o ato de dirigir uma verdadeira aventura. Nesse sentido, destacam-se suas obras, tais como: “Orgulho e Preconceito” (Pride and Prejudice, 2005), baseado no livro de mesmo nome da autora inglesa Jane Austen, escrito em 1813 e, “Desejo e Reparação” (Atonement, 2007), baseado no romance do também autor inglês, Ian McEwan, de 2001. Neste último, ele demonstra total maestria ao nos apresentar um dos mais geniais plano sequência em travelling da história do cinema. Agora, ele nos presenteia com um clássico da literatura russa, “Anna Karenina”, de L. Tolstói, publicado em 1877.
Karenina já teve cinco adaptações para o cinema, sendo esta a sexta. E Wright consegue surpreender ao nos recontar a história de uma forma inusitada e ousada. Ele utiliza uma linguagem teatral ao brincar amadu…

Indomável Sonhadora

O nome original do filme seria algo do tipo “Os Animais Selvagens do Sul” (Beasts of the Southern Wild), que contrapõe, em muito, a “tradução” do título para o português. E que inicialmente poderia aparentar um pouco pejorativo, uma vez quese refere aos habitantes humanos, e não animais, de uma determinada região do sul dos Estados Unidos. No entanto, o diretor Benh Zeiltin consegue desconstruir o conceito do que podemos considerar animalesco num ser humano ao transformar o universo conceitual de sua produção em uma obra, ao mesmo tempo, quimérica e verdadeira. 
A história é baseada na peça “Juicy and Delicious”, de Lucy Alibar, que inclusive auxiliou Benh na adaptação do roteiro para o cinema. Trata-se de um grupo de moradores de classe baixa que vivem em uma ilha apelidada de Bathtub (Banheira). Eles vivem isolados da cidade, que está separada por uma barragem. O ponto de vista da narrativa é de Hushpuppy, interpretada por Quvenzhané Wallis, que na época das filmagens, tinha apenas 6…

Amor

Michael Haneke é um genial sádico provocador. Basta olhar alguns de seus filmes:“Violência Gratuita” (Funny Games, 1997), “Professora de Piano” (La Pianiste, 2000), “Caché” (idem, 2005) e “Fita Branca”(Das weiße Band - Eine deutsche Kindergeschichte, 2009), sendo que com este último ele também foi premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Todos os seus filmes parecem estar na tela como forma de provocar o nosso olhar, a nossa paciência e a nossa sensibilidade. Isso porque ele preza por uma montagem naturalista, mostrando aquilo que geralmente é cortado durante esse processo. Ou seja, se um personagem diz para o outro esperar um instante enquanto ele vai chamar alguém, o que iremos ver é esse momento da espera. Assim, o personagem espera e nós, os espectadores, também. Além disso, o interesse de seus temas se articula com aquilo que se expressa como peculiaridades da nossa condição humana envoltas pelo seu olhar muito próprio e atípico. Temas como violências e fetiches injustificáveis o…