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Mostrando postagens de 2011

A Pele Que Habito

Considero que neste filme Almodóvar conseguiu atingir o seu maior grau de sofisticação cinematográfica, tanto pela escolha original da história, quanto, e principalmente, pela narrativa orquestrada de forma instigante.
Antonio Banderas vive um cirurgião plástico de sucesso. Mora em uma mansão com uma governanta (Marisa Paredes), alguns criados e uma "hóspede" (Elena Anaya) que é mantida em cárcere, trancada em um dos quartos da casa. Aos poucos o filme vai revelando a relação entre os personagens e a história por trás de cada um. No início, temos a ideia de que Banderas é um cirurgião sem ética e que faz uso de uma cobaia viva para os seus experimentos. No entanto, o filme surpreende de maneira chocante e brutal.
A relação do cirurgião com sua cárcere me remeteu um pouco a uma relação que Almodóvar tratou em um outro filme seu, "Ata-me" (idem, 1990), também interpretado por Banderas. A semelhança dos dois personagens está no fato de que ambos sequestram uma pessoa p…

Festival do Rio 2011

Esse ano quis ir bem devagar e tranquila para o Festival. Nada de comprar freneticamente tudo antecipado. E também preferi assistir filmes que provavelmente não entrarão em circuito ou irão demorar bastante para estrear. Além disso, também não quis ver nenhum filme falado em inglês. Enfim, coisa de cinéfila xiita e, ultimamente, bastante chata. Sendo assim, a minha cotação de filmes ficou da seguinte forma: "A Um Tiro de Pedra", "Mãe e Filha", "Triângulo Amoroso", "O Invasor", "O Abismo Prateado", "Michael". No entanto, destes, escrevi abaixo sobre aqueles que mais me chamaram atenção.
México: A UM TIRO DE PEDRA, de Sebastián Hiriart Narra uma intrigante história sobre um pastor de cabras que vive num pequeno vilarejo no México. Um dia ele encontra um chaveiro com uma imagem e entende isso como um sinal para largar sua vida e viajar para o local indicado. A curiosa trilha sonora chama a atenção, pois, em alguns momentos é apres…

A Árvore da Vida

De todas as formas de arte, considero o cinema como aquela que melhor pode tentar responder algumas das grandes questões da vida, tais como: De onde viemos? Pra onde vamos? E quem somos? Alguns cineastas, que tiveram tal ousadia, conseguiram transformar essas profundas indagações em linguagem cinematográfica, usando técnicas seja de roteiro, de estética das imagens ou, e principalmente, de montagem.
Fui assitir A Árvore da Vida cheia de expectativas, esperando um grande filme, cujas técnicas acima citadas estivessem presentes de forma surpreendentes e inovadoras. No entanto, ao terminar o filme fiquei bastante decepcionada. Vencedor da Palma de Ouro no festival de Cannes desse ano, a produção, dirigida por Terrence Malick não conseguiu me convencer. O roteiro consegue até ser cativante, mas não se sustenta com uma montagem que parece se perder em si mesma. Talvez porque ela tenha sido feita por cinco montadores diferentes, incluindo um brasileiro, Daniel Rezende. Realmente até entendi …

A Falta Que Nos Move

Christiane Jatahy é uma diretora de teatro que sempre demonstrou interesse por todo jogo de cena que existe entre o espectador e a encenação dos atores. Em suas peças, como "Corte Seco" (2009), por exemplo, ela editava o espetáculo ao vivo, dizendo para os atores quando deviam cortar a cena e ir para outra. Com isso, ela conseguiu estabelecer um diálogo entre a linguagem teatral e cinematográfica. E esse diálogo foi se tornando cada vez mais presente em suas peças ao ponto de sair dos palcos e ganhar uma versão na tela de cinema.
O filme mistura realidade e ficção o tempo todo. O processo de filmagem ocorreu durante treze horas ininterruptas utilizando três câmeras. Os cinco atores chegam em uma casa para preparar um jantar e aguardar um convidado que ninguém sabe quem é, ou se realmente irá chegar. Os diálogos são improvisados e as histórias contadas podem ser verdadeiras ou não. Algumas orientações são dadas para os atores através de mensagens de texto no celular. Em alguns…

Meia Noite em Paris

Finalmente consegui retomar minhas idas ao cinema. Os contratempos externos e internos continuam (ô se continuam!), mas isso não deve ser justificativa de faltar com o meu prazer maior, que é a experiencia de ir ao cinema. Afinal, parafraseando a cantora pernambucana, Karina Buhr, o centro da terra puxa a gente, mas a gente pula contra a vontade do chão.
E quem me puxou de volta foi Woody Allen. Confesso que fui meio com o pé atrás, já que um filme protagonizado por Owen Wilson não me é lá muito convidativo. E até que Allen consegue extrair uma atuação razoável desse rapaz, afinal ele é só um diretor de cinema e não mágico. Ainda bem que o roteiro (também escrito por ele, claro) sustenta o filme, que narra a história de um protagonista nada satisfeito com a época atual que vive. A partir desse momento o filme me conquistou, pois me identifiquei com tal sentimento. Cada vez mais me sinto menos ligada ao mundo atual e todas as suas modernidades. Essa coisa toda de tecnologia touch, iPhon…

Dexter

[(Momento parêntese): A proposta do blog é falar sobre filmes que estão em cartaz nos cinemas, no entanto, por inúmeros motivos, não tenho praticado idas ao cinema há um tempo considerável. Sendo assim, resolvi abrir uma exceção e escrever sobre esse seriado de TV que me cativou completamente].
Trauma. Traumatismo. Segundo o dicionário, um de seus significados é um grande abalo físico, moral ou mental; choque ou transtorno de onde se desenvolveu ou se pode desenvolver uma neurose. Sendo um pouco mais específica, um trauma está ligado a uma situação extremamente violenta vivenciada por alguém, fazendo com que essa pessoa possa vir a ter variadas formas de reação, influenciando assim em seu comportamento psíquico e suas ações perante o mundo.
Dexter é o personagem-título de um seriado de sucesso nos EUA, que estreou em 2006 e que já vai para sua sexta temporada. A história de Dexter narra que ele passou por um forte trauma que o fez se tornar o que ele é hoje, um serial killer. Quando t…

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas

Produção tailandesa vencedora da Palma de Ouro em Cannes de Melhor Filme em 2010. Foi isso o que me atraiu para ir assistir Tio Boonmee. O diretor possui um nome impronunciável, Apichatpong Weerasethakul, e por isso, ele mesmo se apelidou de Joe.
Esse foi o primeiro filme de Joe que assiti, não conheço os seus outros filmes, portanto, não sei qual é o estilo do diretor e nem qual é o tipo de abordagem que ele procura expressar. Enfim, fui totalmente crua ao cinema, porém com uma enorme curiosidade. Afinal, um filme que ganha a Palma de Ouro em Cannes merece todo o respeito.
A história do filme é baseada em um livro escrito na década de 80, chamado A Man Who Can Recall His Past Lives (Um Homem Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas). Escrito por um monge budista, Phra Sripariyattiweti, a obra narra a história de Boonmee, um homem que dizia se recordar das suas vidas passadas durante a meditação.
Para o filme, o diretor tailandês mostra o Boonmee como um homem que sofre de insuficiência re…

Scott Pilgrim Contra o Mundo

Brian O'Malley é um cartunista canadense que em 2004 criou uma história em quadrinhos cujo personagem-título é Scott Pilgrim, um menino de 22 anos que vive em Toronto. Ele é baixista em uma banda formada por dois amigos chamada Sex Bob-omb e divide um apartamento com outro amigo que é gay. Sua vida corre de maneira regular até o momento em que se apaixona por Ramona, uma menina nova na cidade. Por enquanto, nada de extraordinário nessa história. No entanto, para sair com Ramona, ele precisa derrotar seus 7 ex-namorados malignos. A partir daí, Brian consegue misturar o cotidiano normal em uma verdadeira aventura de vídeo-game. A cada luta vencida por Scott faz com que ele ganhe pontos e até mesmo "uma vida" (em linguagem de vídeo-game).
A adptação dos quadrinhos para o filme Scott Pilgrim Contra o Mundo, ficou por conta de Edgar Wright, que trabalhou com Tarantino e Robert Rodriguez em "Planeta Terror" (Grindhouse - 2007). O roteiro do filme segue a linha dos qua…