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Mostrando postagens de Setembro, 2017

“Mãe!” é vastamente metafórico, ousado e intrigante

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"...Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também...” João 14:2,3
Essas e outras referências bíblicas estão inseridas no filme “Mãe!” (Mother!), cuja personagem interpretada pela atriz Jennifer Lawrence vive um relacionamento com um poeta (Javier Bardem) em uma grande casa que é invadida constantemente por estranhos.

 A mistura de doutrinações religiosas com elementos que remetem uma preocupação ecológica são temas recorrentes na filmografia do diretor norte-americano Darren Aronofsky. Em “Pi” (idem, 1998), seu primeiro longa, ele conseguiu formular uma teoria entre a matemática e a cabala judaica; Já em “A Fonte da Vida” (The Fountain, 2006) apresenta uma ficção científica que se volta para a filosofia budista; E em “Noé” (Noah, 2014), se debruça sobre essa figura bíblica que salvou o processo d…

A hora e a vez dos palhaços nada convencionais: “It - A Coisa” e “Bingo - O Rei das Manhãs”

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Alô, alô, criançada!! Os palhaços estão de volta com tudo!! Porém, ao invés do picadeiro do circo, estão nas telas dos cinemas, e não foram feitos para as crianças assistirem. O primeiro é uma refilmagem de um cult do gênero de terror, “It: A Coisa” e o segundo é a produção brasileira “Bingo - O Rei das Manhãs”. Ambos possuem algumas coisas em comum: se passam na década de 80 e apresentam como personagens principais palhaços nada convencionais.
“It: A Coisa” é baseado no livro de Stephen King, autor americano que conta com uma vasta bibliografia, sendo quase todos na linha do gênero terror ou suspense, e ainda alguns outros sob o pseudônimo de Richard Bachman. Mais de 45 livros seus já foram adaptados para filmes, tais como, “Carrie, A Estranha” (Carrie, 1973), dirigido por Brian De Palma; “O Iluminado” (The Shinning, 1980), com direção de Stanley Kubrick; “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Redemption, 1994), dirigido por Frank Darabont, sendo inclusive, indicado ao Oscar de Melh…

“Na Praia À Noite Sozinha” é o filme mais íntimo e pessoal do diretor sul coreano Hong Sang-soo

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Os diretores sul coreanos começaram a se destacar em meados dos anos 2000, quando seus filmes passaram a chamar a atenção da crítica mundial e do público por trazerem uma nova estética e abordagem ao cinema. Só para citar alguns: Park Chan-Wook, com sua trilogia da vingança, que contempla os filmes “Mr. Vingança”, “Oldboy” e “Lady Vingança”; a incrível sensibilidade de Kim Ki-Duk, com “Primavera, Verão, Outuno, Inverno... E Primavera” e “Casa Vazia”; Bong Joo-Ho, com “Memórias de Um Assassino” e, sua mais recentemente e conhecida produção em parceria com a Netflix, “Okja”.

Juntamente com essa leva de diretores, Hong Sang-Soo também se destaca por ser considerado, segundo alguns críticos, como o “Woody Allen sul coreano”. Seus filmes abordam sempre a mesma temática, envolvendo histórias de relacionamentos, com personagens que trabalham na área cinematográfica. “Na Praia À Noite Sozinha” segue a mesma risca, contudo, pode ser considerado o seu filme mais escancaradamente pessoal. É imp…

“Corpo Elétrico” é um exercício de desconstrução do corpo e da mente

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O diretor mineiro Marcelo Caetano é formado em Ciências Sociais. Debandou-se para o cinema, primeiro fazendo filmes de curta-metragem, depois foi assistente de direção em importantes filmes brasileiros, composto por uma safra de diretores que vem trazendo uma renovação para o cinema brasileiro, tais como: Hilton Lacerda, Gabriel Mascaro e Anna Muylaert. E ainda trabalhou na produção de elenco para Kleber Mendonça Filho, em “Aquarius”, quando conheceu o ator paraibano Kelner Macedo. Kelner havia feito o teste para o papel de sobrinho da personagem de Sônia Braga, porém, o ator não conseguiu a vaga.

“Corpo Elétrico” é o primeiro longa do diretor e vem angariando prêmios em diversos festivais dentro e fora do Brasil. O título do filme é uma referência ao poema “Eu Canto o Corpo Elétrico”, do poeta americano Walt Whitman, que descreve de maneira detalhista diversos tipos de corpos com seus contornos, movimentos, articulações e formas. Baseado nesse contexto do poeta, Marcelo contou com a…